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Como preparar o terreno para amizades reais

Quando falamos sobre as partes principais de um pequeno grupo, geralmente citamos o estudo bíblico, o compartilhamento, a oração, o discipulado coletivo ou os avisos. Como os vemos sendo os elementos mais importantes, nosso treinamento se concentra em ensinar aos líderes a realizar essas tarefas de forma eficaz. No entanto, há uma parte da vida em pequeno grupo que não damos tanta atenção, mas possui uma grande importância, que são os relacionamentos.

 Ainda que pouco tempo seja dedicado ao treinamento sobre construir, aprofundar e manter amizades dentro do grupo, não podemos ignorar esse assunto, se desejamos pequenos grupos saudáveis. E não podemos supor que esses relacionamentos se desenvolvam  naturalmente, sem uma prévia orientação.

Considere por um momento um pequeno grupo sem relacionamentos profundos. Este grupo será formado por simples conhecidos que não fazem muito para apoiar um ao outro. Por não investirem nos relacionamentos, se machucam e discordam, em lugar de perdoar os erros cometidos um contra o outro. Além disso, não responderão às necessidades expressas, sempre achando que outro cuidará do assunto. Em razão disso, não experimentarão muitas mudanças de vida juntos, porque a profundidade e a responsabilidade simplesmente não estão presentes nesses relacionamentos.

Sem uma forte ênfase nos relacionamentos, o máximo que um pequeno grupo pode fazer é transmitir conhecimento raso. Esse mesmo conhecimento, quando discutido em um ambiente que promove relacionamentos, tem o poder de passar de raso para profundo. Isso, porque os membros do grupo permitem que esse conhecimento os afetem, de modo a provocar transformações. É quando a mudança de vida acontece. 

Então, a seguir veremos como construir e enfatizar relacionamentos saudáveis ​​e transformadores em pequenos grupos.

Torne o grupo um lugar seguro

Você pode estabelecer algumas diretrizes durante a discussão do grupo que ajudarão a promover relacionamentos. Apresente essas diretrizes antes de entrar no tempo do estudo. Isso pode ajudá-lo a construir um grupo saudável e capaz de transformar vidas.

Seja Transparente

Uma das minhas maiores frustrações é quando os membros de um grupo respondem a perguntas com respostas superficiais. 

Para ajudar, você precisará construir um compartilhamento transparente, falando sobre suas reais necessidades, lutas e frustrações. Saiba que seu grupo seguirá seu comportamento, se transparente ou superficial. Você pode achar que não é fácil, mas saiba que é importante. Quanto mais você pratica, mais fácil será. Sua transparência permitirá que os membros do grupo também sejam transparentes. Portanto, compartilhando seu verdadeiro eu com o grupo você promoverá o cultivo de relacionamentos saudáveis.

Não salve

Quando as pessoas compartilham uma experiência que as impactou profundamente, há uma tendência de tentar fazê-las se sentirem melhor com a situação ou consigo mesma. Isso, é especialmente verdade se um membro do grupo se emocionar. É comum ouvi pessoas dizerem: “Deus usará essa situação” ou “Tudo ficará bem”. Embora essas duas afirmações sejam verdades, comentários como estes, interrompem o compartilhamento.

Em casos assim, ao invés de responder a essas  considerações, reserve um tempo para fazer uma pausa e refletir, agradeça a pessoa por compartilhar e, se a situação couber, responda, ao final da fala, dizendo “Sinto muito” ou “Isso parece uma situação muito difícil”.

Isso, é especialmente importante quando os membros do grupo têm dificuldade em se expressar. Talvez eles estejam gaguejando ou procurando as palavras para expressar o que estão pensando. Em lugar de dar a eles espaço para resolver o problema e dizer o que estão pensando e sentindo, tentamos nos apressar a resgatá-los colocando palavras na sua boca. Devemos reconhecer que isso ocorre porque nos sentimos desconfortáveis, não porque é útil para as pessoas que compartilham. Ao invés de se apressar para tentar terminar os pensamentos por eles, seja paciente e permita que estes se expressem. Após o compartilhamento, você sempre pode fazer perguntas para esclarecer pontos que ainda precisam de entendimento.

Sem conversas paralelas

Se você iniciar uma conversa paralela enquanto outra pessoa estiver compartilhando, esse comportamento comunicará que você não está ouvindo e, pior, que não se importa com o que está sendo dito. Quando alguém estiver falando no grupo dê toda a atenção a esta pessoa. Se os membros do grupo iniciarem uma conversa paralela com você, direcione a atenção para a pessoa que está compartilhando com o grupo.

Não conserte

Abaixo estão alguns conselhos que ouvi em discussões em pequenos grupos.

  • Eu acho que você deveria processar até ele ficar sem as calças.
  • Você precisa orar mais e ler mais a Bíblia.
  • Você precisa simplesmente superar isso.

Dar conselhos é extremamente perigoso. Primeiro, o conselho dado geralmente é um ruim. Segundo, a pessoa que compartilha normalmente não está pedindo conselhos. Em lugar de dar conselhos, ouça e faça perguntas de acompanhamento para ajudar a pessoa a entender a situação. A melhor maneira de avançar na conversa sem dar conselhos é simplesmente reconhecer a importância da situação. Dizer algo como: “Uau, sinto muito que você esteja nessa situação”. Isso, expressa sua empatia e preocupação com a situação, mas não envolve conselho.

Um erro que os líderes de pequeno grupo costumam cometer é entrar cedo demais no “Vamos orar sobre isso”. Realisticamente, nem todo mundo está pronto para orar sobre uma questão que eles levantam. Em casos assim, antes de tirar conclusões precipitadas sobre a melhor maneira de orar pela situação, faça perguntas de acompanhamento que ajudem o membro do grupo a esclarecer a questão e a entender melhor seus pensamentos e sentimentos. Você pode perguntar coisas como “Então, como você se sentiu?” ou “Quais são as suas preocupações com esta situação?”. Antes de ir para a oração, pergunte sobre o que a pessoa gostaria de orar. Muitas vezes, a maneira como oramos pelos outros consiste em dar conselhos. Por exemplo, alguém pode orar assim: “Dê a Laura a coragem de falar com o João”. Isso, quando Laura não disse nada sobre querer falar com João. Esse tipo de “oração-aconselhamento” pode impedir que o membro do grupo compartilhe no futuro.

Use declarações “Eu”

Quando os membros do grupo usam “nós” em relação à maneira como se sentem ou pensam, eles se afastam da propriedade de sua declaração. Por exemplo, um membro do grupo pode dizer algo como “Todos lutamos para perdoar os outros”, em um esforço para manter a conversa mais superficial. Quando usamos a palavra “eu”, assumimos a propriedade. Então, utilizando o exemplo do líder, um membro do grupo poderá dizer: “Eu luto para perdoar minha mãe pelo que ela fez”. A utilização das declarações “Eu” comunica que você confia nos colegas do grupo o suficiente para ser honesto com eles sobre seus pensamentos e sentimentos. Se o líder usar o “Eu”, os membros do seu grupo seguirão o seu exemplo.

Nem todos temos que concordar

Sempre que as pessoas se reúnem, é provável que haja divergências – mesmo que sejam sobre coisas tolas, como o tipo de lanches para a reunião. Por alguma razão, porém, em pequenos grupos, muitas vezes sentimos que todos devem concordar com tudo. Entretanto, isso simplesmente não é verdade. Há uma grande diferença entre compartilhar uma opinião e tentar convencer todos os demais componentes do grupo a fazer a mesma coisa. Se os membros do grupo sentirem que os outros apenas tentarão convencê-los da maneira “correta” de pensar, eles não compartilharão suas próprias opiniões. Lembre-se de que a liberdade de compartilhar é uma parte indispensável do pequeno grupo. Sem essa segurança, os participantes não serão transparentes e provavelmente o pequeno grupo não desfrutará de muitas mudanças de vida.

Aprenda a realmente ouvir

Preste atenção ao membro do grupo que está compartilhando. Pratique ser um ouvinte ativo. Mostre interesse mantendo um bom contato visual, acenando com a cabeça, inclinando-se levemente na direção do interlocutor. Não se distraia com mensagens de texto, pensando em sua próxima resposta ou assistindo o relógio, etc. Os membros do grupo se sentem valorizados quando sabem que o líder está ouvindo.

(para saber mais sobre como ouvir bem, leia o livro “Seja um Supervisor de Células eficaz” de Joel Comiskey).

Faça contato entre os encontros

Há 168 horas em uma semana. Se o seu grupo se reunir por 2 horas por semana, há 166 horas em que a vida está acontecendo fora do grupo. Cada minuto que passa separa os participantes um pouco mais, o que significa que você terá que gastar bastante tempo se reconectando com eles no dia do encontro.

Ainda que não haja nada de errado em reservar um tempo para se reconectar aos liderados nos encontros semanais, você pode ajudar a minimizar essa dinâmica construindo um relacionamento fora dos encontros. E, além disso, incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Para tanto, verifique se os membros do grupo têm informações de contato uns dos outros. Isso evita que você seja o muro para o desenvolvimento de relacionamentos. Se alguém não for ao encontro naquela semana, por exemplo, qualquer participante poderá entrar em contato com ele e não apenas o líder.

Manter contato fora do dia do Pequeno grupo, traz vários benefícios. Entre eles, o aumento da intimidade do líder com seus liderados, o que pode favorecer no conhecimento de áreas que precisam ser tratadas e melhoradas no liderado. Além disso, permite um tempo individual, para que assuntos pessoais, que não seriam tratados em grupos, possam ser compartilhados.

Cuidar dos membros do grupo

Falar é fácil. Você pode dizer que se importa com os membros do seu grupo o tempo todo, mas se nunca fizer algo para demonstrar seu cuidado, suas palavras não terão peso de convencimento. O axioma prova a verdade, “as ações falam mais alto que as palavras”.

Para que os relacionamentos cresçam, você precisará se envolver em atos significativos de cuidado.